Apesar de afetar milhões de pessoas e poder ter consequências tão graves quanto muitas doenças físicas, a depressão ainda é frequentemente banalizada. Diferentemente de muitas doenças, ela não pode ser confirmada por um exame laboratorial ou de imagem, o que faz com que muitas pessoas questionem sua existência e a considerem “frescura”, “fraqueza”, “preguiça”, “falta de força de vontade”, “falta de caráter”, “fingimento” ou até mesmo “falta de fé”.
Enquanto um diagnóstico de câncer, por exemplo, geralmente desperta acolhimento e compreensão, quem sofre de depressão muitas vezes escuta frases como: “é só pensar positivo”, “você tem de tudo, não tem motivos para estar assim”, “você precisa reagir”, “é só levantar da cama e fazer”, “vai fazer uma caminhada”, “você tem tudo para ser feliz”, “tem gente em situação muito pior que a sua” ou “é só pedir para Deus que isso passa”. No entanto, embora as duas doenças tenham características muito diferentes, ambas podem levar à morte quando não são tratadas. Esse estigma faz com que muitas pessoas sintam vergonha de pedir ajuda, se culpem pelo próprio sofrimento e adiem, ou até mesmo deixem de buscar, o tratamento. A depressão não é uma escolha nem um defeito de caráter: é uma doença real, com bases biológicas, psicológicas e sociais, influenciada também por fatores genéticos, e merece o mesmo respeito, seriedade e cuidado dedicados a qualquer outra condição de saúde.
A depressão é uma doença mental comum, séria e que pode afetar profundamente a forma como a pessoa pensa, sente e vive. Diferente da tristeza passageira, ela pode durar semanas, meses ou até anos e, quando não tratada, tende a se tornar recorrente. Além de comprometer os relacionamentos, o trabalho e a qualidade de vida, a depressão está entre as doenças mais associadas ao risco de suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5,8% da população brasileira vive com depressão, tornando o Brasil um dos países com maior prevalência da doença na América Latina.
O impacto da depressão também pode ser observado no ambiente de trabalho. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a depressão é uma das principais causas de afastamento entre todas as doenças mentais, perdendo apenas para os transtornos de ansiedade. Isso reforça a importância de reconhecer os sinais da depressão e buscar ajuda profissional o quanto antes, pois o tratamento adequado aumenta significativamente as chances de recuperação. https://gov.br/saude/depressao
Entre todas as doenças que causam incapacidade (como dor lombar, artrite, asma, diabetes, AVC e câncer), os transtornos depressivos estão entre as principais causas de tempo vivido com incapacidade no mundo e são a principal causa entre os transtornos mentais. A depressão pode comprometer a capacidade de trabalhar, estudar, cuidar de si mesmo e manter relacionamentos por longos períodos.
Global Burden of Disease Study 2021 – The Lancet: https://www.thelancet.com/gbd
A neurociência tem mapeado várias alterações associadas à depressão. Algumas das principais:
A versão mais atualizada do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM 5 – TR, classifica os transtornos depressivos em:
Geralmente a depressão surge da combinação de fatores como:
A Terapia Cognitivo-Comportamental é considerada uma das modalidades mais eficazes para o tratamento da depressão.” — PubMed (https://shre.ink/jrCBT2). O tratamento deve ser individualizado e baseado na gravidade dos sintomas, nas necessidades e nas características de cada pessoa. As principais estratégias com eficácia comprovada incluem:
A depressão resulta de uma interação complexa entre fatores sociais, psicológicos e biológicos.” — Organização Mundial da Saúde (OMS).
Link: OMS – Depression Overview . É um transtorno multifatorial que envolve alterações neurobiológicas, genéticas, inflamatórias e ambientais.” — Nature Signal Transduction and Targeted Therapy (https://shre.ink/jrNature)A herdabilidade dos transtornos depressivos é estimada em aproximadamente 30 a 50% (https://shre.ink/jrg8).
Cada pessoa tem uma vulnerabilidade de base genética (temperamento, histórico de trauma, funcionamento biológico) que determina o quanto de estresse é necessário para desencadear um episódio depressivo. Duas pessoas podem passar pelo mesmo evento de vida — um luto, por exemplo — e uma desenvolve depressão enquanto a outra não. A diferença não está no evento em si, mas na vulnerabilidade prévia de cada cérebro. Por isso, nem sempre existe um motivo óbvio para estar deprimido.
“A depressão pode causar sintomas graves que afetam como a pessoa sente, pensa e realiza as atividades do dia a dia.” — National Institute of Mental Health (NIMH).
Link: NIMH – Depression
Sinais de alerta, baseados nos critérios do DSM-5 TR:
Vale buscar avaliação profissional se, na maior parte do dia, quase todos os dias, por 2 semanas ou mais, você notar:
Combinado com vários destes:
Muitas pessoas acreditam que a depressão é apenas tristeza, mas ela pode se manifestar de diversas formas. Se você percebe alterações persistentes no humor, na energia, no sono, na motivação ou na capacidade de realizar atividades do dia a dia por duas semanas ou mais, é importante procurar avaliação profissional. Apenas profissional da saúde pode realizar uma avaliação adequada e indicar o tratamento mais apropriado.
A depressão tem tratamento e, em muitos casos, é possível alcançar a remissão completa dos sintomas e recuperar a qualidade de vida. Algumas pessoas terão apenas um episódio ao longo da vida, enquanto outras podem apresentar recaídas. Por isso, quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de melhora. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens com maior respaldo científico para o tratamento da depressão e pode ser utilizada isoladamente ou em conjunto com medicação e prática regular de exercícios físicos, de acordo com a gravidade do quadro e a avaliação do profissional de saúde.
A depressão não tratada raramente permanece estável — na maioria dos casos, ela cronifica, se intensifica ou entra em ciclos de recaída cada vez mais frequentes, fenômeno conhecido como efeito kindling.
Os principais riscos incluem:
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) funciona para depressão?
Sim. A TCC é uma das psicoterapias mais estudadas e com maior respaldo científico para o tratamento da depressão. Ela ajuda a identificar padrões de pensamentos negativos, modificar comportamentos que mantêm o sofrimento e desenvolver estratégias para prevenir recaídas.
Quanto tempo dura o tratamento da depressão?
Não existe um tempo único. Algumas pessoas apresentam melhora significativa em poucos meses, enquanto outras necessitam de um acompanhamento mais prolongado. O tempo de tratamento depende da gravidade do quadro, da presença de episódios anteriores e da resposta individual.
A depressão pode voltar?
Sim. A depressão pode apresentar recaídas, principalmente quando não é tratada adequadamente ou quando o tratamento é interrompido precocemente. Por isso, seguir as orientações do psicólogo e do psiquiatra é fundamental.
A depressão pode causar sintomas físicos?
Sim. Além dos sintomas emocionais, a depressão pode provocar dores no corpo, fadiga intensa, alterações gastrointestinais, dores de cabeça, mudanças no apetite e no sono, redução da libido e sensação constante de falta de energia.
Exercício físico ajuda no tratamento da depressão?
Sim. A prática regular de atividade física é considerada um importante complemento ao tratamento. Ela favorece a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, melhora o sono, reduz o estresse e potencializa os efeitos da psicoterapia e, quando indicado, da medicação.
Sou Laiane, psicóloga clínica, CRP RJ 74716, com formação em Terapia Cognitivo Comportamental – TCC, atendo adultos com depressão, ansiedade e outras psicopatologias. O primeiro encontro é gratuito https://laianepedroso.com/#cafecomterapia , agende clicando aqui: https://www.doctoralia.com.br/laiane-pedroso/psicologo/rio-de-janeiro.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação e acompanhamento com profissional de saúde mental. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando sintomas de depressão, buscar ajuda especializada é o primeiro passo para o tratamento adequado.